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Flor do Asfalto

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AVISO: o conteúdo do site anterior foi transferido para www.revolutas.org. Neste site, 'Flor do Asfalto',  você encontrará textos sobre os mais diversos temas, além de parte do acervo anterior... "Nada do que é humano me é estranho", este é o lema deste site. SEJA BEM VIND@!!!!

O que pretendemos com este site?
 
Nosso objetivo é divulgar idéias transformadoras, realizar reflexões sobre a realidade atual, marcada por contradições e paradoxos e, principalmente, por uma profunda crise política da esquerda. Entendemos que essa crise é também uma crise do pensamento crítico de esquerda.
Dentro das nossas modestas possibilidades eperamos contribuir de alguma forma, somando nossos esforços aos de muitos outros.
Caso queira conhecer melhor as nossas propostas visite o site Revolutas e escreva para ruipolly@hotmail.com.

A Flor e A Náusea

 Carlos Drummond de Andradee

 

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cizenta.

Melancolias, mercadorias, espreitam-me.

Devo seguir até o enjôo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

 

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

 

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sobpele das palavrascifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.

 

Vomitar este tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam pra casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

 

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

 

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

 

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

 

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio


FRASE DA SEMANA
 
"Todos nós estamos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas." Oscar Wilde

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Meu nome é Rui Polly, militante socialista há 30 anos. Sou filiado ao PSOL e faço parte do coletivo Revolutas (www.revolutas.org).

BLOG
 
Sábado, 9 de dezembro
 
Transfiro meu blog para cá, por questão de espaço e de organização. Aos poucos irei colocando textos no site, e buscarei colocar posts com frequência. Nas próximas semanas terei alguma dificuldade, pois não terei conexão à Internet em casa. Mas não deixem de visitar-me. rsss
R. Polly